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A UNIÃO

Como dissemos, essas duas “castas” – os quatrocentões e os imigrantes – não se misturavam. Pelo contrário, tinham mesmo uma certa reserva, uns em relação aos outros.

 

Entretanto, por eventualmente frequentarem o mesmo meio social, possivelmente Fábio Prado e Renata Crespi já se conheciam pessoalmente há algum tempo. E acabaram se interessando um pelo outro.

 

Filho de Martinho Prado e de Dona Albertina, Fábio Prado foi a síntese perfeita da família Prado. Como praticamente todos eles, gostava da vida no campo, tanto que morou na fazenda de Araras. Mas foi empreendedor e político. 

Na vida profissional, chegou a presidente de várias importantes empresas. Na era Vargas, foi convocado para fazer parte da sociedade do Colégio Dante Alighieri, para intermediar a permanência da escola italiana no Brasil. 

Mas foi na carreira política, ainda mais do que na empresarial, que Fábio Prado se notabilizou. Foi vereador em São Paulo e nomeado prefeito da cidade por Armando de Salles Oliveira, interventor no estado. E foi como prefeito que conseguiu desenvolver uma característica pessoal que sempre foi marcante em sua vida: o amor pela cultura e pela arte. Renata Crespi, filha primogênita de Rodolfo e Marina Crespi, foi uma dessas mulheres que não aceitavam o papel de submissão feminina que a sociedade de sua época impunha.

Já aos 14 anos foi a primeira mulher da cidade a andar de avião, na aeronave do piloto Natale Ruggerone, em um evento festivo ocorrido na Moóca, em São Paulo. É possível imaginar o quanto essa ousada atitude gerou de comentários na conservadora sociedade da época...

 

Durante toda a sua vida teve uma forte atuação na área social no Guarujá (cidade na qual chegou a ser Prefeita), em Araras e na capital de São Paulo, criando condições para a ajuda aos menos favorecidos.

 

Teve importante participação nos trabalhos de arrecadação de fundos para a construção da catedral da Sé, em São Paulo, tendo, inclusive, contratado escultor para a criação de imagens. Mas foi o seu amor incondicional à arte que deu a ela a posição de destaque que sempre teve.

Amiga dos artistas, os reunia frequentemente em sua casa e adquiria suas obras, colecionava. Esse interesse mútuo entre Fábio Prado e Renata Crespi foi se fortificando até que virou namoro e, em seguida, o desejo de se unirem pelo casamento.

 

Sabe-se que houve alguma resistência por parte dos Prado, por Renata não pertencer a uma tradicional família paulista. E não duvidamos de que deva também ter havido alguma resistência dos Crespi. Mas pessoas de personalidade forte como Fábio e Renata jamais permitiriam que preconceitos sobrepujassem suas próprias vontades. E casaram-se em 29 de julho de 1914, na casa da família Prado, na Av. Paulista. Ela com 18 anos, ele com 27.

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